Ciclovias

Ciclovias e o perfil de quem pedala nas capitais do Sul

Ciclovias nas capitais do Sul do Brasil

Na ciclovia da Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, o perfil do ciclista mudou nos últimos dois anos — pelo menos é o que indicam contagens feitas pelo Nirava em maio e junho de 2026. A proporção de ciclistas aparentando mais de 45 anos subiu de 18% para 31% na amostra. O horário comercial (8h–10h e 17h–19h) ganhou peso em relação ao lazer dominical.

Repetimos o exercício em trechos de ciclovia em Curitiba (eixo Batel–Centro) e Porto Alegre (Orla do Guaíba). Os três cenários convergem: bicicleta deixa de ser só lazer e passa a aparecer no deslocamento cotidiano — ainda minoritário, mas mais diverso em idade e gênero.

Metodologia das contagens

Em cada cidade, observamos um trecho de 800 metros em três dias úteis e um sábado, totalizando 12 horas de contagem por ponto. Registramos passagem, estimativa etária (faixas), presença de capacete, tipo aparente de bicicleta (urbana, speed, elétrica) e direção. Amostra não é censitária — é retrato comportamental com limites explícitos.

Curitiba: o eixo central

Em Curitiba, a ciclovia do Batel registrou fluxo estável, mas com aumento de bicicletas elétricas — 14% do total em junho contra 6% em levantamento similar de 2024. Entrevistas rápidas indicam uso para ir ao trabalho em raio de até 4 km. «Deixo o carro em casa dois dias por semana», disse um contador de 52 anos.

Florianópolis: litoral e trabalho

Na Beira-Mar Norte, o domingo ainda concentra famílias e ciclistas recreativos. Nos dias úteis, porém, o fluxo de mochila e bagagem lateral cresceu. O clima ameno ajuda, mas o fator decisivo parece ser a combinação de ciclovia contínua e congestionamento viário na via paralela.

Porto Alegre: retomada pós-enchente

Em Porto Alegre, a contagem na orla aconteceu após reabertura parcial de trechos danificados pelas enchentes de 2024. O fluxo ainda não voltou ao patamar pré-desastre, mas quem pedala hoje inclui mais entregadores de aplicativo usando a ciclovia como atalho — fenômeno que não aparecia nas contagens de 2023.

Ciclovia não cria ciclista do zero — mas muda quem se sente autorizado a pedalar.

Leitura do Nirava

Infraestrutura cicloviária no Sul tem história mais longa que em outras regiões, mas o perfil de uso ainda evolui. Dados oficiais de «modo bicicleta» costumam vir de pesquisas casa-a-casa, lentas e amplas. Nossas contagens são pontuais, mas captam mudança de hábito em tempo quase real.

Nas próximas edições, vamos incluir Joinville e comparar cidades sem rede cicloviária contínua. Relatos de ciclistas nas três capitais são bem-vindos em [email protected].

Atualizado em 5 de junho de 2026 às 16h45 (horário de Brasília).

Este conteúdo é editorial e não constitui consultoria em mobilidade ou planejamento urbano.